quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Contos de Fadas às avessas

Quando eu era pequena, minha irmã era menor ainda. Isto (não só nas entrelinhas, como na dura e cruel vida real) queria dizer que eu, no posto de ser-mais-velho-primogênito-ultra-maduro-e-responsável, tinha deveres*, enquanto que a caçula da casa, tinha mordomias diversas.

Minha agenda era bem movimentada: ir para o colégio de manhã, voltar para casa, almoçar, tirar a mesa, lavar, secar e guardar a louça**, limpar a pia, varrer e passar pano na cozinha e tirar o lixo da cozinha e dos banheiros.
Claro que após isto tudo, minha missão diária na Terra ainda não havia acabado: ainda restava-me fazer uma tonelada de lições de casa, com as quais o Mackenzie carinhosamente brindava seus queridos alunos diariamente, e que me tomavam praticamente a tarde toda - e um bom pedaço do começo da noite.
Enquanto tudo isto acontecia na minha vida, a caçula da casa se desgastava na árdua tarefa de brincar, dormir e assistir a seus desenhos prediletos na TV.

Mas graças a Deus, além de uma veia gigante na perna, eu herdei certa criatividade do meu pai.
Sabiamente, eu inventei uma Fadinha que era super-parceira e muito me ajudava, um Ser maravilhoso e de luz. Na mesma hora minha irmãzinha adorou entrar na brincadeira.
A Fadinha era ótima: colaborava em todas as tarefas - o que fazia sempre com um invejável sorriso nos lábios, e stisfação no coração, se não me engano, muitas vezes até cantando, de tanto contentamento.
Mas como o que é bom dura pouco, esta história não teve o desfecho que eu esperava: um belo dia a Fadinha descobriu a farsa e ficou prostituta da vida com o fato de estar sendo enganada. Pediu demissão na mesma hora, nem quis receber seus direitos.
E eu voltei ao meu papel de gata borralheira.

* naquela época não havia punição para trabalho forçado infantil - e se houvesse, o selo Abrinq passaria bem longe da nossa residência
** antes do advento da bendita e santa máquina de lavar-louça chegar em casa

19 comentários:

Aninha Leme disse...

hauahuahauhauahau
mas também, depois que eu fiquei um poquitos mais velhinha, eu fazia pão de cenoura pra vc entre outras coisas na cozinha, fazia faxina e etc. poxa!!!!
vida cruel!

beijos

Juliano disse...

Aqui em casa é assim com a minha sobrinha..askdoskdoaskdkaosd

Ela num faz nadaaaaa..! tudo eu..

Bjooooos

Desabafando disse...

ahahahahahaha.....haja criatividade hein...rsrsrs....e uma pitadinha de maldade!

Tiago disse...

É... mas depois que o caçula fica mais crescido sempre rola aquele papo: você é mais novo, pega pra mim???

Sei na pele...

Beijos!

Blog do Óbvio disse...

Ana Barros, que família "bunitinha" que vocês são. Beijos. Manoel.

Gabitus disse...

Tadinhaaaaa!!!

Irmã mais velha sooooooofre!!!!

Meninas!!! Tem selinho pra vocês no meu blog!!!

Beijos!!!

Elaine disse...

Olá!
Este é um comentário-convite.
Meu blog está completando neste mês um ano " no ar". Para celebrar a juntar gente interessante estou promovendo uma blogagem coletiva.
Ficarei feliz se você puder participar. Será um modo de divulgar seu espaço e conhecer outros blogs interessantes e que têm algo a dizer.
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Elaine

Mônica disse...

Eu adorei ler este blog.
Que coisa boa!
Eu também sou a mais velha de seis irmãos mas nunca fui de faxinar nem de cozinhar.
Eu as vezes pagiava as gemeas mas elas eram muito pesadas e eu não dava conta.
Minha vida foi estudar, assistir televisão e esperar nossos pais chegarem do trabalho.
Com carinho Monica

OBS eu não aprendi a andar de bicicleta porque meus irmãos aprenderam na minha bicicleta. Eu ganhei de meu tio para poder crescer. E eles foram avisados que podiam me ensinar, mas não podiam deixar que eu caisse e machucasse senão apanhavam de meus pais.

E eu não aprendi a andar a cavalo. Ando, mas morrendo de medo. E quando passeava na fazenda dos meus avôs maternos só ia ate a porteira mais proxima.
A maioria das fotos são de meus sobrinhos e de minhas irmãs gemeas.
Será que deturpei os fatos?

O Profeta disse...

Troquei as voltas a um Golfinho feliz
Afagei a cria de uma Baleia azul
Confundi uma nuvem com ilha encantada
Perdi-me na rota entre o Norte e o Sul

Aprisionei o olhar de uma gaivota
Enchi a alma com penas de imensa leveza
Enchi o coração de doce maresia
Adormeci nos braços da incerteza

Vem viajar comigo no meu barco de papel


Bom domingo

Doce beijo

Alexsandra Moreira disse...

Trabalhos domésticos não são o forte de tantas pessoas... inclusive o meu.rsrsrsrsr

Eu entendo vc Aninha.

bj

Gabitus disse...

Meninas, tem selinho para vocês!!!

Beijoooos!

Fer. disse...

é... eu também passei por isso! hueheuheuhehe alias, todas nós né...

To seguindo Ana.. um beijão

Lolla disse...

licençaaaaaaaaaaaaaa, tô entrando.
desculpa a invasão mas...sera q posso fazer parte do seu blog? adorei ele, aguardo resposta.
voltarei...bjusss

o Cheff disse...

Crianças são tão sinceras.
Fadas não, fadas são más no final.
Me decepcionei com várias ao longo da vida. (mas nunca tive problemas trabalhistas)
Agora só quero saber de feiticeiras.

MR disse...

Gostoso de ler o seu blog!

Questão Fundamental disse...

Não sofra mais por isso. Todo mundo trapaceou um pouco seus parentes mais próximos...

Erika disse...

Nessas horas que eu agradeço por ter sido caçula...

Stella Tavares disse...

Adorei o post! Gostaria de publicá-lo no manual do inseguro em seu mês de aniversário. Posso contar com sua participação? Espero que sim.
Bjs

Mônica disse...

Aninha
Com carinho Monica