sexta-feira, 22 de abril de 2011

A hora do Terror

Esta semana me veio à memória um acontecimento fatídico da minha adolescência.

Era uma tarde chuvosa, regada a raios e trovões, daquelas em que a garotada acaba tendo que ficar muvucada dentro de casa e suas cacholas brilhantes começam a entrar em curto circuito, procurando alguma diversão.
O cenário era uma casinha de campo antiga da minha avó, simples e sem laje, com quase nenhum conforto, que ficava dentro de uma chácara.

A velha vitrola, já cansada de tocar os mesmos vinis de sempre (Biquini Cavadão, A Gata Comeu, o álbum Faith do George Michael e outros "grandes sucessos" da época) agora descansava em silêncio por conta da falta de luz trazida pela forte chuva.

A mesa de sinuca, com seu forro rasgado, enfeitada com calombos diversos em sua superfície (gerados pela enorme habilidade da criançada em encaçapar a ponteira dos tacos no feltro) já entediava a turma, que estava cansada por haver passado grande parte da manhã jogando.

Eis que alguém teve a brilhante idéia de fazer uma festa do terror.

Os adultos tinham todos saído, só havia sobrado a minha mãe - que diga-se de passagem, também não tinha muito juízo.

Acendemos várias velas pela casa e com lençóis e roupas velhas nos vestimos de monstros e fantasmas.

Alguém lambuzou a cara com a maquiagem da minha mãe para simular um zumbi, outros se besuntavam com catchup para um visual mais sangrento. Posicionamos minha irmã estrategicamente no centro de uma mesa que tinha um buraco no meio, para que ela parecesse não ter corpo e ficasse com a cabeça girando para um lado e para o outro.

Papo vai, papo vem, aquela escuridão lascada, aliada a um clima sinistro no ar, os monstros zanzavam pela casa, sem rumo, já com medo uns dos outros.

De repente ouvimos alguém bater com força na janela de vidro da sala, mas ninguém consegue avistar quem foi.

A família Adams toda corre para a cozinha para se proteger.
Então ouvimos alguém forçar a maçaneta da porta dos fundos.
A adrenalina sobe, o pânico se instaura e as pernas ficam bambas.
Alguns querem gritar, mas os mais prudentes fazem sinal de silêncio.
A esta altura, já não se sabe para onde se deve correr.
A porta dos fundos é mas uma vez forçada.
Todos voltam para a sala, mesmo sabendo do perigo ao qual nos exporíamos, por conta da visibilidade que a grande janela de vidro ainda sem cortina proporcionava a quem estivesse do lado de fora da casa.

Numa tentativa de desvendar o perigo e visualizar o inimigo, as cabeças se voltam para janela e os pescoços se curvam para a parte externa da casa na direção da cozinha.

Nada se avista, até que, quando estão todos praticamente grudados na janela, uma criatura com uma juba enorme, peluda, parecendo um gorila, vem urrando em nossa direção.

Após isto não me lembro bem ao certo o que ocorreu.
Alguns desmaiaram, outros ficaram em estado de choque.

A única coisa que eu consegui registrar na memória foi a cara do monstro, que ficou paralisado de horror com nossos gritos. E quando o engraçadinho do meu primo tirou a máscara de gorila só se pôde ver sua cara branca e seus olhos arregalados, frutos do mais genuíno susto.


Esta é um relato real ocorrido no Mendanha - RJ. As pessoas aqui relatadas tiveram que fazer uma longa terapia de reposição emocional por diversos anos.
O gorila se casou e hoje vive feliz no Rio.
Minha mãe teve que comprar novas maquiagens e no dia em que fizemos hot-dog após este evendo faltou catchup.
Não tentem fazer em casa.

4 comentários:

Nádia Mara disse...

Adrenalina pura!

Ainda hoje quando lembro , meu coração acelera e quase tenho um piripaque.

Você esqueceu de um detalhe : eu perdi a voz de tanto gritar de pavor.

Anitas disse...

HAUHAUAHUAHUAHUAH
gente, que saudade de ser feliz como naqueles tempos!!!!!!

beijos

Mônica disse...

E tão bom a gente lembrar que viveu que deu grandes gargalhadas e que se apavorou.
Vou contar uma: minha madinha zilá ficou presa no cemiterio. De dentro gritava er chamava e o povo corria.
Numa hora um foi lá e conversou com a madrinha.
Ela pediu pra ir na casa de um filho pra tira-la de lá.
O jovem foi mas antes perguntou se a madrinha estava morta.
Só assim parou de tremer.
Com carinho Monica

Alanzão disse...

opa...gostei do blog ..vou voltar...vou voltando... tamo ae....

is we in the tape